terça-feira, 29 de outubro de 2019

Prefiro ser essa metamorfose ambulante


Já diria Chico Buarque: "As pessoas têm medo das mudanças, eu tenho medo que as coisas nunca mudem." Sempre tive curiosidade em saber a razão do receio pela mudança que a maioria das pessoas têm, uma vez que a estagnação nunca foi o meu forte. Me incomoda observar pessoas sem ambição, sonhos ou qualquer coisa do tipo e sim, nada disso é problema meu, mas é muito triste pensar que a rotina - nem sempre fácil - seja motivo suficiente para alguém acordar todos os dias. E foi em virtude desse meu descontentamento com tantas questões humanas, que procurei a luz no fim do túnel da psicanálise.

Não, meu intuito neste parágrafo não é fazer propaganda de livros Freudianos, mas sim citar um dos meus insights durante essa jornada que mudou minha vida. Certo dia, perguntei à minha terapeuta: "Por que as pessoas não podem mudar se eu quero tanto mudar?". Ela olhou fundo nos meus olhos e apenas disse de forma serena: "Repita essa frase". Quando repeti, encontrei a resposta que tanto procurava: a predileção pela zona de conforto, um ambiente totalmente oposto à uma sala de terapia.

Quem conhece tal ambiente sabe que é impossível mudar o pensamento e as atitudes alheias, mas minha insensata teimosia insistia em tentar reverter esse quadro. A partir de então, comecei a relatar questões abordadas nas minhas sessões para minha família e amigos, na ânsia de fazê-los mudar de ideia, se mexerem, saírem da estabilidade que mais parece uma areia movediça na realidade. Ao invés de sanar meus próprios problemas diretamente, tentava ajudar os outros que, adivinhem, não queriam ser ajudados. Decepção. Tiro saindo pela culatra. Eu jogando o dinheiro da minha terapia no lixo.

Mas o grande paradoxo nisso tudo é que as coisas mudam independente de nossa vontade: Pessoas que mais amamos se afastam, mudam de país ou partem para sempre. A sorveteria que existia antes em uma determinada esquina já não está mais lá. Amigos casam, têm filhos, trocam suas prioridades. Mudamos de opinião, de dieta, de casa, de sonhos. Envelhecemos.

Eu, que sou grande fã da mudança, já quis interromper esse ciclo não por medo das rugas, mas das partidas. Sinto falta da rotina com a minha família, lamento por não ter mais amigos queridos por perto, gostaria de tomar o sorvete naquele lugar especial e de principalmente, permanecer livre. Isso me machucou tanto que quis não crescer mais numa espécie de Síndrome de Peter Pan, para que as coisas permanecem o mais fidedignas possíveis às minhas lembranças mais deliciosas. Naquele momento, questionei Chico.

De qualquer forma, nada adianta a forma como me sinto em relação a isso. Nada muda em relação ao fato de que tudo muda. A vida continua de uma forma ou de outra, com ou sem fulano, ciclano ou beltrano e o tempo e a energia que estava perdendo em minhas lamentações/decepções só me deixavam mais longe dos meus sonhos e da minha vontade de viver. Com isso, não conseguia enxergar a minha evolução, o quão fortalecedora foi minha caminhada, as derrotas e vitórias que hoje fazem parte de quem eu sou. Essa metamorfose de emoções dentro de mim me definiram mas não foi definitiva... Ela é tão confusa e persistente, mas isso é talvez assunto para um outro texto. Até lá, pode ser que tudo mude de novo.









                                                      

sábado, 5 de janeiro de 2019

Como pode algo tão abstrato como a saudade 
ter que preencher o espaço que até então era seu
aqui na cama
nos cafés
nos bares, restaurantes e cinemas
na minha memória
Como a gente diz adeus para o que até ontem era certo
para dar lugar à insegurança de um amanhã
que não vai começar com você me acordando
Como deixar partir as borboletas que moravam no meu estômago
(elas sempre davam sinais de vida quando você chegava perto)
Como trocar as escovas de dente
acariciar outro tipo de cabelo
sentir outro perfume
Como entender que os sentimentos se confundem e se transformam
e ver que talvez não fosse amor

quarta-feira, 8 de março de 2017

Metamorfose

Hoje decido acordar
e acender as luzes desse quarto escuro
que você deixou pra trás.
Hoje tornaram-se espinhos
suas palavras que sempre foram alento.
As lembranças antes aqui vívidas
se esvaem no fluxo contínuo
do seu esquecimento.
O calor do seu abraço
Hoje é tão frio quanto sua indiferença
Mas só por hoje
não lamentarei essas transformações
e superarei o que antes parecia inabalável.
Só por hoje.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Meu coração de menina
Uma vez acreditou
Que eu pudesse ter aquilo que
A imaginação cobrasse
E o desejo sussurrasse
Nestes ouvidos que só então
Haviam testemunhado um tipo de amor
Puro e incondicional
Meu coração de repente
Passou a achar que pudesse
Também
Dar um sentimento assim
Parecido com a arte feita pelos querubins
Enquanto se regozijam no colo de Deus
Meu coração um dia
Te encontrou
Te desejou
Te vislumbrou
Achando que fosse possível
Amar um amor simples
Digno de conto de fadas
Ele achou que teria vez
Com alguém que já teve o coração estraçalhado
Mais de uma;
Achou que pudesse ser querido
Apenas pelo fato de querer tanto,
Como se o amor obedecesse às leis da Física
Como se a reação fosse sempre reciprocidade.

sábado, 1 de agosto de 2015



O pior de tudo
é ser obrigada a conviver
com sua ausência
com suas roupas ainda na gaveta
com seu café ainda na xícara
com seu cheiro ainda no meu corpo.
Essas pegadas
me levam a lugar nenhum
senão ao caminho da despedida
À última briga
Ao olhar indiferente
Ao desenlace das mãos.
O pior de tudo
é te ver indo embora todos os dias
No looping da memória
Pois bem mais desesperador
É brigar contra lágrimas
Abrir os olhos para os erros cometidos
Desfazer o laço apertado dos sentimentos.
O pior de tudo
é trancar de vez
A porta e o coração
que você deixou para trás.

Out of the Box

Olá!
Hoje tenho uma publicação fora do comum para fazer. Primeiro, porque tenho andado em falta com o blog...  Isso pois me mudei para Boston!!! :D
Foi uma preparação corrida, mas que valeu a pena. Ficarei aqui por mais um ano estudando na Boston University. (Ao longo de post, você poderá ver algumas fotinhas)



Tenho um curso de inglês de 6 semanas, que btw, já está chegando ao fim. Depois disso, FÉRIAS!!!! \o/
Para então, começar o programa acadêmico em Biomedical Sciences.
O curso que estou fazendo nos dá muito homework mas também nos oferece a oportunidade de explorar a cidade e a cultura bostoniana. Tivemos a oportunidade de ir a Revere Beach (a praia mais antiga de Boston), ao aquário (inacreditável a diversidade de espécies!), Harvard (meu Deus quero estudar lá!), a casa do ex-presidente John Kennedy... Além disso, fizemos um cruzeiro durante do sunset e assistimos ao maravilhoso Cirque du Soleil. Tenho certeza que está sendo uma experiência única e que aprenderei muuuuuito durante este 1 ano!

Tudo aqui é lindo e calmo; cheira a cidade de interior. O pôr-do-sol no pier do Charles River é um espetáculo a parte... Sentimos as energias sendo repostas, a paz na alma.
Tudo é beeeem diferente do Brasil e, em geral, é melhor (exceto a comida, que argh!). Nunca pensei que fosse gostar tanto de um lugar! (Embora sinta muita falta dos brasileiros).
Com tudo isso acontecendo, só tenho uma coisa a dizer: Obrigada, Senhor!



Enfim, é isso aí! Agora tratarei de tirar o atraso e postar o poema quentinho, recém-saído do forno.
Beeeeeijos, e obrigada!!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

"Cada instante é sempre"

Pouco tempo: Eis o que nos resta.
As horas irrompendo dias, meses e anos 
Frente ao que sempre soubemos que aconteceria.
O tilintar do relógio grita em meus ouvidos 
a passagem de cada segundo, 
Lembrando-me que se aproxima o momento 
dos nossos corpos se separarem
dos nossos corações se distanciarem 
dos nossos pensamentos se esmaecerem. 
Porque é sabido que mais etéreo que a vida
são os relacionamentos;
que o tempo é o mais cruel de todos os criminosos
Não espera, apenas escorre entre nossos dedos
E os separa no enlace de nossas mãos.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A ele, tudo o que uma mulher não gostaria de ter

A ele, o mais improvável dos homens e o mais rodado entre as mulheres. Aquele que inicialmente arranca suspiros de quem não ousa prever um futuro estável ao seu lado: o homem-de-quem-não-se-espera-nada. (Aliás, até se pode esperar. Pelo pior.)
Um cara que não tem o sorriso de um Gianecchini, o charme do George Clooney e muito menos a bunda do Hulk; um cara que não promete coisa alguma além do alerta de que tudo pode se acabar a qualquer momento. Ele não tem um Camaro como o eu lírico da música (se é que tem algum carro), não tem casa própria e, quiçá, a conta bancária das celebridades citadas anteriormente.
Ele não quer te dar uma vida inteira ao seu lado, uma família, nem ao menos flores no seu aniversário. Ele só deseja alguns momentos ilusoriamente felizes durante uma semana monótona: um típico cafajeste que não consegue suprir suas necessidades emocionais ou financeiras.
Esse homem te sorri com uma ternura incrível, conta suas histórias de vida, te abraça forte, te liga para te acalentar, te faz realmente feliz com suas lembranças, seu cheiro e seu toque suave. Entretanto, não pode estar presente em todos os momentos da sua vida.
Esse canalha tem todos os defeitos imagináveis que alguém pode ter; é o sapo mais asqueroso de um conto de fadas (e o que é pior: você nunca poderá esperar que ele se torne príncipe, embora só tenha beijos ardentes para dá-lo).
Você tem todos os motivos para detestar tudo nele, mas seu maior desejo é alguns instantes a mais na sua cama e na sua vida. Pode (e provavelmente deve) haver uma fila de príncipes te esperando lá fora, te prometendo mundos e fundos e um paraíso de rosas vermelhas. Mas sabe e sempre soube que ninguém completa o seu mundo como ele.
Quem vê, julga impossível uma paixão dessa, em que todas as pistas indicam um fim iminente. Porém, uma coisa é certa: ela só existe se, em algum momento, tiver se tornado amor de verdade. E disso ninguém duvida.
À você - que já me fez sangrar de dentro pra fora e sorrir nesse mesmo sentido, que proporcionou noites de insônia sonhando acordada ou chorando em silêncio, que me maltrata e me afaga ao mesmo tempo -, dedico este texto. Ainda que sejamos tudo em meio ao nada criado pelas suas incertezas: você é o homem que quero e sempre quis ter para o resto da minha vida.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Pedaços seus em uma despedida



Você nunca deveria ter soltado minha mão naqueles momentos que queria poder ter paralisado. Você nunca deveria ter me deixado tão livre. Nunca deveria ter me perdido. E sabe disso. Assim como também sabe que não sei voltar pra casa sem a tua companhia. Por que me levou pra conhecer o mundo, pretendendo me abandonar no meio do caminho?
Que me desculpe Paulinho Moska, mas o tempo não vai curar, o beijo não vai durar. Ao contrário do que sempre pensei, ele é meu inimigo, não meu aliado. Vai te tirando de mim a cada hora que passa e a somatória de dias que se passam sem seu sorriso e suas palavras só se soma à angústia. Nessa matemática, o dividendo é igual ao quociente, o único divisor sou eu e o que restou foi zero. Nada. Nada pra você. Nenhuma lembrança sequer te faz refletir ou sentir minha falta.
É injusto carregar o fardo sozinha, suportar o peso das memórias em cada canto dessa cidade se refletindo na minha mente e no meu coração. O mais doloroso hoje é que meu rosto já não é tão nítido nessa sua cabeça desmemoriada, não sou o alvo preferido dos seus olhares ou a prova tátil de sua pele. Tenho que aceitar contra a vontade que não é pra mim que seus lábios sorriem, sua insônia não tem minha imagem, nossos instantes juntos não estão tatuados no seu corpo. Não mais. Apenas represento um entre seus longos anos de experiência e um par de olhos entre tantos minuciosamente estudados por você.
Estranho pensar que estava disposta a tudo pra ficar contigo, colar sua vida na minha pra nos salvarmos juntos e assim permanecermos intocáveis como em um final feliz de um filme dramático. Daria tudo pra te ter aqui, inconstante, com crises italianas autistas (sim, excêntrico), compulsiva e obsessivamente transtornado, falando francês no meu ouvido.
Infeliz e definitivamente, o amor não é uma ciência que você domina, mas contigo aprendi e conheci a anatomia da minha própria alma - se é que isso é possível. Me reconheci imediamente na sua, assim como espero que você tenha se reconhecido em cada palavra dessa despedida.
Vous me manquerez. Je t’aime.
(Vou sentir sua falta. Te amo.)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Está difícil acordar todos os dias, sabendo que lá fora, as ruas estarão impregnadas de você.
Vivo automaticamente, não esperando mais mensagens, ligações, te encontrar na esquina ou que você simplesmente se lembre de mim.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Como queria poder estar contigo
Em um tempo e em um espaço
que talvez nem existam...
Queria te pedir
Que saia da minha cabeça
E segure a minha mão,
Mas ela está atada à outra.
Agora
Que não posso mais evitar
A angústia
A inquietude
Os soluços
A insônia
Os pensamentos colados em você
Vivo um dos piores castigos
Por um pecado que sequer cometi.

Matemática

Se pra você
Estar envolto
Entorpecido
Envolvido
Nas curvas do meu corpo
São 8/10
8/10 da minha parte também o são
Porém com mais sutileza
Beleza
Destreza
De toda a racionalidade
Que um sentimento pode ter
Já que estou envolta
Entorpecida
Envolvida
Nas lembranças suas.
Pare de me fazer falta
Pare de não me completar
Pois assim são os encontros:
Porcentagens em frações, 
Cuja soma
É maior que um inteiro.


Percebi que algo estava errado
quando seus silêncios me incomodavam
e suas presenças eram insuficientes;
quando seus abraços se tornaram motivo
para acordar
e seus beijos,
para chegar até o fim do dia;
quando quis que
porventura
você me tomasse
me incendiasse
me amasse
como já fez com aquelas
que tiveram um bilhete premiado nas mãos
e o jogaram fora.
Por isso sigo vivendo
sofrendo
amando
sabendo
que não há vitória possível para mim
nessa loteria injusta
que é ganhar seu coração.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Hoje, pela primeira vez,
não chorei vendo suas fotos;
não me perdi nas tuas lembranças;
não sofri ao te ver seguindo em frente.
Retomarei a vida que tinha
antes dela ser sua.
Hoje, pela primeira vez,
desejei nunca ter te conhecido;
quis nunca ter te visto com outros olhos;
ansiei não te encontrar mais.
Hoje, pela primeira vez,
me sinto escapar da areia movediça;
me liberto do peso das algemas;
percebo a beleza das flores;
troco o monóxido de carbono por oxigênio;
vejo a vida sorrindo pra mim.
Hoje, pela primeira vez,
supero as marcas que você deixou
e pela última,
viro a página da nossa história.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Relembrando momentos, remexendo nos baús do passado, penso comigo mesma que as coisas poderiam ter sido diferentes. Você não me olhou como eu queria, eu não te dei a oportunidade. Os inúmeros "SE" me fazem girar em um mundo subjuntivo de meras hipóteses, quando penso que deveria ter me arriscado e me entregado mais.
Como pode não ter acontecido? Se o que te dei foi mais do que poderia dar a qualquer pessoa; se te amei mais do que a mim mesma?
Tinha vontade de te ouvir sussurrando em meu ouvido as coisas que ilusionei. Passei noites em claro planejando um futuro pra nós, imaginando que, quiçá um dia, você me enxergaria do jeito que sempre quis. (Sim, você me veria!). Esperava incansavelmente com a avidez e a inocência de uma criança que espera pelo presente, a cada mínimo segundo, por você... E ainda espero. Quem ainda ousa dizer que isso não é amor?
Apesar de todas as rejeições, de toda a loucura e de todos esses anos, ainda sofro com a possibilidade de ter dado certo. Você continua sendo o episódio não superado, o cara dos meus sonhos, o refúgio do fim de domingo, o pai dos meus filhos, a alegria que poderia ter vivido.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Amor e outras drogas

Um vício chamado SENTIMENTO. Sem lógica, sem explicação e sem volta: como qualquer outro.
Não acredito na cura total do viciado em questão. A sombra da recaída sempre o estará rondando e procurando frestas, um único momento de distração para voltar ao controle.
Quando começamos a amar alguém, nem sequer sabemos se é amor. Só nos damos conta do que está acontecendo quando já estamos inertes, mergulhados até o último fio de cabelo nesse líquido incolor, inodoro e que definitivamente não é indolor.
Muitas vezes, nem chegamos a saber se era realmente amor. É difícil definir sentimentos, nomeá-los e a partir daí, escolher o tratamento. Tudo se mistura, se confunde, se esvai.
Encantos terminam, outros começam e, de repente, parece que o vício se rompe. Não tem mais o mesmo cheiro, a mesma textura, o mesmo paladar. Acabou.
Tantos anos de dedicação à alguém, de cuidado à esse sentimento. Sim, porque amor é droga que criamos dentro de casa. No quintal, é a maconha ilícita, perigosa, bomba-relógio. A prova viva dos nossos maiores delírios e medos, mas nosso refúgio, porto seguro, razão de continuar vivendo. Somos produtores, traficantes e usuários... Assim: simultaneamente.
E então: ABSTINÊNCIA! Sensação de loucura e inquietação. Acabou? Acabou mesmo? Ao mesmo tempo em que pode ser reconfortante e aliviador, abster-se pode danificar mais nossos corações. Aquela droga era a energia para respirar, comer, dormir, andar de bicicleta, correr atrás do cachorro, viver, sonhar. Uma faca de dois gumes.
Não! Não pode terminar! Não quero, não posso, não consigo!
Você é minha doença e minha cura. E sempre vai ser sim.





(Dedicado à Mariana Squinca.)

terça-feira, 22 de maio de 2012

"interpolaridade"


Depois de muito tempo, voltei a pensar no assunto. No nosso assunto.
E analisando minuciosamente cada fato, cheguei à conclusão de que realmente nunca fui a mulher (per)feita pra você.
Não sou dessas que se arrastam no chão por um homem, que passam noites insones remoendo mágoas do passado, que se debulham em lágrimas ao apenas ler um cartão ou e-mail não respondido. Não fico fazendo declarações de amor virtuais, não tiro fotos de beijos e alianças, não digo "Eu te amo" em tempo integral.
Não sou aquela que se rebaixa pra ficar contigo.
Sinto saudade, mas tenho meu orgulho.
Sou sensível, mas também destilo veneno.
Sou delicada, mas tenho espinhos.
Sou doce, mas nas minhas veias também percorre o ácido.
Sou inocente, contudo posso ser culpada.
Sou bonança, mas dentro de mim, há tempestade.
Sou mocinha, mas ostento minhas armas de vilã.
Te amo, mas descobri que sou demais pra você.


sábado, 12 de maio de 2012

Cotidiano


Escutar seu nome;
Sentindo o coração apertado.
Reler suas cartas;
Rompendo as cicatrizes.
Sentir seu cheiro;
Percebendo o tremor de cada ponto da minha pele.
Ver suas fotos;
Me perdendo no tempo.
Relembrar conversas;
Mergulhando na bipolaridade entre gargalhadas e suspiros profundos.
Sonhar com você;
Lamentando o amanhecer.
Te amar;
Vivendo as distâncias que há entre nós.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"O maior dos mistérios", segundo Lispector

         "O amor só é lindo quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser." Mário Quintana

         Queridos leitores, gostaria de começar este texto com alguns questionamentos simples, práticos e objetivos: Alguém tem alguma ideia do que seja realmente o amor? Conseguiria absorver o concreto dessa palavra tão abstrata e traduzi-lo em palavras? 
            Na realidade, nem mesmo antropólogos, sociólogos, filósofos, psicanalistas e muito menos cientistas  conseguiriam explicar tamanha complexidade. Vivemos uma vida inteira procurando a outra metade da laranja, a alma gêmea, a tampa da panela, enfim... alguém que consiga preencher um espaço vazio em nosso coração, e ainda assim, esse tempo muitas vezes é insuficiente. Essa pessoa que tanto buscamos com certeza está na lista de prioridades "DO QUE FAZER EM VIDA" de qualquer ser humano, e aí entra a relatividade: nem todos a encontram, como resultado da singularidade de cada um. Fazer o que, não é? É a vida, oras.
        Mas o que queria mesmo ressaltar - ou melhor, debater - aqui é a diferença entre GOSTAR, APAIXONAR-SE e AMAR. Dizem que é a mesma que entre "AGORA, POR ENQUANTO e PARA SEMPRE"... Mas será que não poderíamos 'gostar para sempre' sem que seja aquele amor de corpo e alma pregado nos romances?? Porém, de uma coisa sabemos: um deve terminar para o outro começar. Gradualmente. O problema é que não sabemos em que tempo e em que espaço isso acontece, já que, naturalmente não decretamos: "Já não é mais paixão. Agora, neste exato momento, é amor". As coisas não funcionam dessa maneira, o coração não consegue reconhecer o que acontece nos intervalos, entende? Sim, intervalos. Aqueles momentos em que tudo se mistura e o cérebro (não podemos nos esquecer que ele existe, não é mesmo?) não julga mais nada por si só: É certo que sentimos algo, mas somos incapazes de definir o que exatamente é.
            E claro, isso independe total e indubitavelmente da outra pessoa - o que avacalha T U D O. "Pô, quer dizer então que, como se não bastasse todo esse conflito dentro de nós mesmos, ainda temos que pensar no OUTRO?" Sim amigo(a), isso é um tanto quanto óbvio, mas é um dos grandes motivos pela não-concretização do 'amar'. Se me permitem acrescentar um pouquinho de Literatura neste texto tão casual, os ultrarromânticos sabiam muito bem disso - precisamos amar sim, mas também, ser amados. São necessidades vitais - e inevitavelmente conjugadas - de qualquer pessoa. Quando somos crianças, o amor de nossa família é o suficiente: amamos na mesma proporção em que somos amados e isso já nos completa. No entanto, crescemos e nem toda a evasão que propunham os seguidores de Lord Byron seria capaz de fugir da realidade de que nem sempre seremos amados por quem e/ou como desejamos. 
            Se você acredita que essas duas vertentes ocorrem da mesma maneira, tudo bem, parabéns - gostaria de dizer que tem muita sorte mesmo! Mas eu, em particular, não creio que haja um amor totalmente correspondido: se não for platônico por inteiro, acredito no sentimento "meio platônico, meio aristotélico" pelo simples fato de que um sempre ama e se entrega mais que o outro - ainda que secretamente.
              Enfim, estes são casos que fazem parte do universo desse estranho elemento chamado de AMOR. Ninguém pode impedir que aconteça com cada de um de nós, e é por isso que muitas vezes, dói. Seja qual for a história, alguns acidentes de percurso podem acontecer e o que quero dizer com tudo isso é que, independente da situação, é importante que saibamos lidar com os obstáculos, dar a volta por cima e estar pronto para seguir em frente e amar mais uma vez. Afinal, marcas ficam, mas a sensibilidade precisa continuar.
              "Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir." CaioFAbreu

sábado, 1 de outubro de 2011



"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade." Mário Quintana



          Hoje se inicia um novo mês, uma nova esperança. Por que, então, não falar sobre renovação, ou melhor, felicidade?
          Todos sabemos que, cada um de nós, caro leitor, é feliz de alguma forma. E o ser humano, tão frágil que  é, se encontra submisso a essa força maior: a sede de felicidade. Acredito fielmente que um texto é mais do que um conteúdo narrativo, lúdico, informativo ou qualquer coisa do gênero; por isso me atrevo a trocar informações e sentimentos com quem estiver lendo estes textos. Com base nisso, digo-lhes (e acabo por desabafar) que sou um tanto paradoxo: 'Eu quero muito, eu quero mais, eu quero tudo', citando Caio Abreu, e ao mesmo tempo posso ser feliz com tão pouco.
           Para mim, é mais importante sentir do que ter - reunir amigos, encontrar alguém que me deixa saudades, relembrar momentos, sorrir e fazer o outro sorrir, amar e ser amado... Isso é o que mais importa. Destacar esse tipo de coisa se torna cada mais essencial nesse mundo de cobiça, promiscuidade e hipocrisia: quantas pessoas se satisfazem com aquilo que é banal e acabam se perdendo nessa busca pela felicidade?
            Pensando nisso, resolvi listar alguns fatores em um pequeno guia, que talvez possa nos ajudar a encontrar a verdadeira felicidade:
Ela dificilmente estará nas roupas de marca, nas jóias, nos perfumes, no status ou em qualquer coisa relacionada ao glamour e bens materiais. Lembre-se de que a estética é efêmera e passa num piscar de olhos.
Olhe para dentro de si. Perceba o que ou quem te faz abrir um sorriso sincero.
Dê valor e atribua sentimentos a essas coisas/pessoas. Esteja perto, abrace e se deixe abraçar, converse, discuta porém ouça e perdoe!
"Seja alguém simples. Seja algo que você ama e entende. Esqueça o resto, tudo que você precisa está na sua alma... e em seu coração." ¹
           A verdade é que ser feliz não segue regras, assim como a vida não possui um manual de instruções. Acordamos, sobrevivemos, lutamos, quebramos a cara, descobrimos que não existe um destino final chamado FELICIDADE, e por fim aprendemos que ela é somente um estado de espírito, algo que temos que buscar em cada mínimo detalhe.


1) Citação de Caio Fernando Abreu